IMENSIDÕES.
Ontem eu pensei em escrever sobre o mar.
Mas foi bem antes de dormir, e agora já não me lembro de todas as palavras que calculei na cabeça.
Parecia um lindo texto. Eu falava de como o mar é bonito, grandioso e intenso em sua imensidão.
Eu dizia para deixá-lo lavar as coisas ruins — o medo, a mágoa.
Para se espelhar nele, no seu esplendor e elegância.
A verdade é que eu não faço tudo o que digo sobre o mar.
Eu tenho medo do que está embaixo.
E tudo bem sentir medo, porque em um mar tão grande posso procurar outro lugar.
E existe outro lugar. É mais longe, mas me dá menos medo.
Eu também não o conheço, mas sua luz me transborda até nos dias chuvosos.
Eles têm ligação, têm semelhança. Dizem que se encontram no horizonte.
Eu confio mais no céu — bonito, grandioso e intenso em sua imensidão.
Quando ele mandar chuva, deixe que lave as coisas ruins, o medo, a mágoa.
Deixe-se desaparecer nele, no seu esplendor e elegância.
Eu disse que eram semelhantes.
E talvez sejam.
Só que um me convida a mergulhar…
e o outro me ensina a olhar para cima.
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