Decisão.

 


Vivo a distância de dias curtos,
que parecem tão longos
que sequer os vivo.

É estranho se esgotar
de tanto não fazer nada,
e quanto mais descanso,
mais cansada fico.

Frases longas que não explicam,
monólogos curtos
que dizem mais do que deveriam.
Entendo tanto que me confundo
e, no fundo,
não entendo nada.

Entendeu?
Porque eu não.
Explico o que não disse,
invento o que nunca pensei,
e acabo perdida
em palavras que não existem.

Confesso: não me entendo.
Gosto de falar do que sei,
mesmo quando não sei.
E quando sei,
não sei como dizer.
Parece engraçado,
mas é só confuso.

Deixe que eu me explique:
sou decidida, sim,
mesmo que bastante indecisa.
Se digo que sim, é sim —
ou talvez não.
Se digo que não, é não —
ou pode ser talvez.

Quero o que não quero,
não quero o que desejo,
e, quando finalmente tenho,
já não sei o que quero.

Existem coisas que quero profundamente,
mas que me afastam quando estão perto.
São grandes demais para caberem em mim,
mas pequenas demais para preencherem o vazio.
São boas,
mas deixam gosto amargo.
São divertidas,
mas não despertam riso.
São minhas,
mas parecem não me pertencer.

Viu como é confuso?
É uma clareza tão nítida que embaça,
e uma confusão tão turva
que às vezes parece bonita.

Talvez eu devesse parar por aqui,
mas sigo — sem saber o que digo.
Falo sem falar,
entendo sem entender,
sou inteira
e partida ao mesmo tempo.

Eu fico confusa
em gostar de me perder
em minhas diretrizes.
Parece loucura,
mas sou só eu,
existindo nesse mundo
cheio de respostas
que não esclarecem nada.

MaryIsLu!

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