DIÁRIO DE UM OBJETO
Vi-o escrever em seu canto. Fiquei impressionada: era ágil, não parava quieto, letras e mais letras.
Me aproximei para ver, mas era segredo. O lápis escrevia em seu diário palavras
escondidas sobre alguém que o apontou.
E eu nem sei se posso contar… Foi o caderno que me revelou:
“Não espalhe… ele me deixou despida e me usou. Eu gostei, mas me senti pequena
quando me colocou de novo no estojo.”
Agora
estou aqui, descrente.
Como pode alguém ser assim, tão desprezível?
Usar o coitado do lápis e deixá-lo desolado?
Tadinho.
Que não me aconteça o mesmo — eu não tenho um diário.
MaryIsLu
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