DESPEDIDA?
Os dias
passam, a saudade fica, a vida continua,
e já não sabemos mais o que feriu.
Temos apenas a certeza de que algo se foi,
e, nem sempre, entendemos o quão doloroso foi deixar partir.
Seguir pode ser difícil, mas, na maioria das vezes, é necessário,
é preciso — ou é só o que pode ser feito.
Não porque tudo se perdeu,
mas porque o coração pressente a ausência,
como quem sente frio antes da chuva.
Há um tipo de saudade que nasce antes da despedida —
a saudade do que ainda é, mas já começa a se distanciar.
E o pior é perceber que, por mais que se tente segurar,
algumas coisas precisam fluir…
mesmo que o peito implore pra ficar.
E o frio
na barriga sempre será o mesmo,
o olhar com carinho, o apego emocional,
o sorriso bobo, o beijo cheio de desejo.
A dor no peito da partida,
essa vai doer todas as vezes que for dito um “até logo”
com som de adeus.
Nos
detalhes que nos tornam parecidos,
no que nos faz sentir apreço,
no que nos prende um ao outro,
vivem memórias de noites saborosas e dias quentes.
O gostar tem dessas — você gosta de uma “coisa”
que, de tanto ser, se torna dolorosa
pelo simples medo de partir.
Uma vez eu
ouvi:
“quanto mais pessoas entram na sua vida,
mais pessoas saem dela.”
Pode ser isso que me assusta —
os “ois” e os “adeus” que insistem em chegar.
saber que a intensidade permanece,
mesmo quando o tempo tenta apagar.
Porque o corpo aprende a se despedir,
mas o coração… ah, o coração é teimoso.
Ele insiste em guardar os detalhes:
o toque leve, o riso entre frases,
a sensação de que, por um instante,
o mundo fazia sentido demais pra ser real.
E é nesse instante que mora a saudade —
não no que se perdeu,
mas no que ainda espera pra saber
se vai ser… ou não.
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