Medo.




Olá eu,

perdoa-me por não falar do meu medo —
é que eu tive medo.
Me assustei com a ideia de cair em desespero,
esse é o meu medo.

Também tenho medo do trovão,
mas com menos apego —
porque se apegar dá medo,
e medo é se abrir pra ferida.

Medo de perder o controle,
de sentir demais,
de desmoronar sem aviso.

Medo do escuro que cresce no silêncio,
da voz que treme antes de falar,
do choro que engole a garganta.

Medo é esse nó na garganta,
é o coração apertado em punho cerrado.

Medo é não saber se o chão vai segurar,
se a respiração vai voltar.

Mas, querida eu,
não precisa ter pressa de vencer esse medo.
Ele é sombra que anda junto,
assustadora, sim — mas parte do caminho.

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