OHANA!


A saudade que aperta, que fere, que não se mede, mas que pesa, dilacera os corações distantes, feitos de lembranças vibrantes. Saudade de casa, da família, do sertão, dos amigos, dos tempos de infância e da nossa canção, das brincadeiras no 'sol quente', da dança na chuva que não se via de repente. Saudade da roça, onde o trabalho não era meu, mas as risadas com os primos, esses sim, sempre eu. Corria, brincava e até irritava o meu velho, que, mesmo cansado, sorria e dizia: 'Cuidado, minha filha, não vá se machucar'. Saudade da volta, seja da roça ou da escola, sentir o cheiro da comida quentinha, a alegria que consola. O sorriso da mãe, que nos acolhia, tornava o dia mais leve, e o coração se aquecia. E a mesa farta, com a comida mas saborosa que existe. E mesmo que não fosse parente, o pai, com generosidade, nunca deixava faltar, criou o filho, o neto, e ainda alimentava os que vinham de longe, para conosco se sentar. Naquela casa simples, mas rica de amor, sempre havia um lugar, uma oração e um calor, a saudade hoje machuca, nos lembra dos dias bons, da alegria. Para muitos, o sertão, a seca, a pobreza, para nós a união, as brincadeiras, o amor cheio de heras e beiras.



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